A entrada da Loxam no controle da Mills coloca o mercado brasileiro de locação de equipamentos em uma nova fase de consolidação. A operação aproxima uma das principais empresas nacionais do setor de um grupo europeu com presença internacional e atuação em segmentos como construção, infraestrutura, indústria, energia e eventos.
O acordo envolve a compra de 50,3% da companhia brasileira e foi avaliado em cerca de R$ 3,8 bilhões. Para investidores e empresas do setor, a transação sinaliza que o mercado nacional de rental segue atraente para grupos globais, mesmo em um ambiente de juros altos e maior seletividade de capital.
Loxam e Mills avançam em acordo de controle
A Loxam acertou o pagamento de R$ 16 por ação para assumir a fatia de controle da Mills. Esse valor representa prêmio de 22% sobre o fechamento dos papéis da empresa em 22 de maio de 2026.
A etapa de aquisição do bloco controlador deve movimentar aproximadamente R$ 1,9 bilhão. O pagamento será feito à vista no encerramento da transação, conforme comunicado da Mills ao mercado.
O preço também terá correção por 70% do CDI a partir do 31º dia após a assinatura do contrato até a conclusão da compra. Entre os vendedores estão a família Nacht, o fundo Southern Cross Group e a família Oxenford.
O que ainda precisa acontecer
A conclusão do negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até essa etapa ser superada, a transferência efetiva do controle ainda não está concluída.
Depois da aquisição do bloco controlador, a Loxam deverá realizar uma oferta pública de aquisição pelas ações em circulação da Mills. Essa obrigação decorre das regras brasileiras e das normas do Novo Mercado da B3.
Os acionistas minoritários terão direito ao mesmo preço pago pelo controle, com atualização pela Selic até a liquidação da oferta. Por isso, o mercado passou a avaliar a possibilidade de a companhia deixar a Bolsa, embora a Mills não tenha confirmado fechamento de capital.
Reação dos papéis mostra leitura positiva
As ações da Mills reagiram com forte alta após o anúncio. No pregão citado pela Exame, os papéis subiam 14,58% por volta das 16h, negociados a R$ 15,01, próximos do valor definido no acordo com a Loxam.
Relatório do BTG Pactual apontou que a transação considera múltiplo de 5 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026. Na avaliação do banco, o preço é atrativo diante da posição da Mills no mercado brasileiro, do histórico em fusões e aquisições e do desempenho operacional recente.
Por que a operação importa para o setor
A Mills atua no aluguel de máquinas, equipamentos e serviços relacionados, com presença relevante na construção e em atividades de apoio operacional. Ao se conectar a uma plataforma internacional, a empresa pode ganhar acesso a escala, capital e práticas de gestão já testadas em outros mercados.
A Loxam, fundada em 1967, registrou receita líquida de 2,5 bilhões de euros em 2025, segundo informações citadas pela Reuters. O grupo conta com cerca de 11,6 mil funcionários e opera aproximadamente 1.130 filiais em mais de 28 países.
No Brasil, a companhia já atua desde 2015 por meio da Loxam do Brasil e da A Geradora. A compra da Mills amplia de forma relevante essa presença e pode intensificar a competição em locação de equipamentos.
Controle estrangeiro reforça tese de escala
A família fundadora da Mills afirmou que a venda representa um passo estratégico para conectar a companhia a um grupo global do setor. A leitura dos controladores é que a Loxam tem visão de longo prazo e pode fortalecer a presença da empresa no mercado nacional.
Para o setor de construção e infraestrutura, o movimento reforça a importância de escala, frota diversificada e capacidade de atendimento nacional. A transação também mostra que o segmento de locação de equipamentos continua no radar de investidores estratégicos internacionais.