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Setor de máquinas registra entrada recorde de importados em 2025 e projeta retrações para este ano

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) projeta um ano desafiador para os segmentos de máquinas agrícolas e rodoviárias em 2026, com recuo previsto nas vendas e nas exportações. O cenário se desenha após um 2025 marcado por resultados estáveis, poucos indicadores de alta e, principalmente, pela entrada recorde de equipamentos importados — com predominância de produtos chineses e indianos.

Máquinas rodoviárias: mercado estável, mas importação cresce

O segmento de máquinas rodoviárias — que abrange tratores de esteira, retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, rolos compactadores, minicarregadeiras e manipuladores telescópicos — encerrou 2025 com 37 mil unidades vendidas, repetindo o patamar de 2024 e ficando 2 mil unidades abaixo do recorde histórico de 2022. A alta na mineração compensou parcialmente a queda nas entregas para a construção civil, setor impactado pelos juros elevados.

Para 2026, a Anfavea estima recuo de 4,7% nas vendas, com 35,3 mil unidades. Já as exportações, que haviam crescido 17,8% em 2025 (17,1 mil máquinas embarcadas), devem cair 10,7%, em razão da instabilidade tarifária envolvendo os Estados Unidos, principal mercado de destino.

O ponto mais crítico está nas importações, que superaram 20 mil unidades em 2025, alta de 10%. “Mais de 16 mil dessas máquinas vieram da China, muitas em concorrências públicas que deveriam considerar não apenas a localização da produção e os empregos gerados no país, mas também a qualidade dos produtos e dos serviços de assistência técnica”, alertou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Agrícolas: quatro anos consecutivos de queda

No setor agrícola, as vendas internas completaram quatro anos de retração. Em 2025, o varejo registrou 49,8 mil unidades comercializadas, queda de 3,6% frente ao ano anterior e 10 mil unidades abaixo do volume de 2021. O segmento de colheitadeiras foi o mais afetado, com volume reduzido a quase um terço.

“O crescimento da atividade agropecuária, mais volátil e incerto do que o de máquinas rodoviárias, ocorre em um contexto de juros elevados, o que afeta diretamente o setor”, afirmou Calvet, destacando a necessidade de fortalecer instrumentos de financiamento como o Plano Safra e as linhas do BNDES.

Na contramão, houve crescimento nas vendas de tratores de baixa potência, vinculados à agricultura familiar e estimulados pelo Pronaf Mais Alimentos, que oferece juros em torno de 5%. Para 2026, a Anfavea projeta novo recuo de 6,2% nas vendas e queda de 12,8% nas exportações.

Importados transformam superávit em déficit

As importações de máquinas agrícolas atingiram o patamar recorde de 11 mil unidades em 2025, alta de 17% sobre o ano anterior. A Índia lidera o ranking de origem com 6 mil unidades, enquanto a China avança de forma expressiva — crescimento de 85,7% —, com 3,9 mil máquinas importadas.

Estudo de competitividade encomendado pela Anfavea ao BCG aponta que produtos chineses e indianos apresentam vantagens em escala, preço do aço e mão de obra, reduzindo o custo de produção em até 27% em relação aos nacionais. “Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional, sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação”, concluiu o presidente da Anfavea.

Fonte: Construa Negócios