O termômetro financeiro da construção civil no Brasil continua apontando para um cenário desafiador, conforme revela a mais recente Sondagem Indústria da Construção. Realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC e divulgado nesta quinta-feira (23), o levantamento mostra que os empresários do setor encerraram o segundo trimestre de 2026 com os índices de satisfação ainda mergulhados na zona negativa.
Em uma escala onde pontuações abaixo de 50 indicam insatisfação, o indicador de situação financeira da indústria marcou apenas 45,2 pontos, praticamente estagnado em relação ao primeiro trimestre. O lucro operacional seguiu a mesma toada de descontentamento, cravando 41,7 pontos. O principal vilão apontado pelos executivos da área continua sendo a dificuldade sistemática de acesso a linhas de crédito saudáveis, cujo índice não passou de 39,3 pontos.
O peso dos insumos e da taxa Selic
A pressão que espreme as margens de lucro das construtoras tem duas frentes muito claras, segundo a análise da CNI. A primeira delas é estrutural: a taxa básica de juros, a Selic, que permanece em patamar contracionista. Juros elevados não apenas freiam o financiamento para novos empreendimentos, mas também encarecem a rolagem de dívidas das próprias empresas do setor, dificultando a oxigenação do caixa.
Na outra ponta da corda estão os custos operacionais. Embora o indicador que mede o preço médio das matérias-primas e insumos de construção tenha registrado um recuo de 2,2 pontos — fixando-se em 66,2 —, ele ainda demonstra que os materiais continuam encarecendo, apenas num ritmo ligeiramente menos acelerado do que no início do ano. Aliado a isso, o encarecimento e a escassez de mão de obra qualificada completam a tempestade perfeita que segura o nível de atividade em patamares baixos (47,2 pontos em junho).
Um horizonte levemente otimista
Paradoxalmente ao arrocho financeiro de curto prazo, o macroambiente para o fechamento de 2026 desenha curvas de melhora. Isso acontece porque, apesar das dificuldades internas no canteiro de obras, a demanda por moradias segue aquecida.
Recentemente, a própria CNI reajustou a projeção de crescimento do PIB da construção civil no Brasil para este ano, elevando-a de 1,3% para 1,5%. Essa injeção de otimismo, mesmo em meio à insatisfação financeira, é sustentada pela expectativa de ampliação dos recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e por inovações recentes nas regras de crédito imobiliário e fomento a programas habitacionais, fatores que podem destravar novos lançamentos no segundo semestre.