A inflação da construção civil manteve-se majoritariamente estável em março, em um cenário favorável para as empresas do setor imobiliário listadas na bolsa de valores. O INCC-M avançou 0,36% na comparação mensal, ligeiramente acima do registrado em fevereiro, mas o acumulado em 12 meses recuou para 5,81%, de acordo com análise do Banco Safra com base nos dados da FGV IBRE.
Custos de materiais desaceleram enquanto mão de obra avança
A composição do índice revela dinâmicas distintas entre seus principais componentes. A inflação de materiais e equipamentos desacelerou para 0,27% em março, ficando abaixo do ritmo observado no mês anterior. O movimento foi influenciado pela desinflação em dois dos quatro subgrupos monitorados, com destaque para materiais de instalação, cuja alta recuou de 0,87% para 0,66%.
Na direção oposta, os custos de mão de obra — responsáveis por cerca de 40% do índice e principal vetor da inflação acumulada — avançaram 0,47% em março, acima dos 0,39% de fevereiro. Com isso, essa componente atingiu 9% no acumulado de 12 meses.
Fios elétricos lideram aumentos pelo segundo mês consecutivo
Entre os itens com maior variação de preços no mês, os fios elétricos lideraram pelo segundo mês consecutivo, com alta de 2,6%. Também registraram aumentos os custos de bombeiros hidráulicos (+0,79%) e de eletricistas (+0,67%).
Do lado das quedas, os destaques foram revestimentos cerâmicos de parede (-0,8%), conduítes de PVC (-0,27%) e tubos de concreto (-0,23%).
São Paulo concentra maior inflação acumulada entre capitais
No recorte regional, Salvador apresentou a maior inflação mensal entre as capitais monitoradas, com avanço de 0,94% em março, impulsionada por reajustes salariais sazonais. Belo Horizonte apareceu na sequência, com alta de 0,42%.
No acumulado de 12 meses, porém, o cenário é mais heterogêneo. Rio de Janeiro e Belo Horizonte registraram as menores taxas, de 4,46% e 4,71%, respectivamente. São Paulo se manteve com a inflação mais elevada no período, com 6,65%, seguida por Salvador, com 5,87%.
Cenário reforça perspectiva positiva para construtoras
Na avaliação do Safra, o resultado de março consolida a tendência de desinflação nos custos de materiais, amparada por um câmbio mais favorável e por uma dinâmica geral de custos ainda estável. Ainda que a mão de obra tenha mostrado aceleração pontual, o índice acumulado em 12 meses segue em torno de 5,8%, abaixo das hipóteses mais conservadoras incorporadas aos orçamentos das construtoras.
Esse descompasso entre inflação efetiva e premissas orçamentárias tende a favorecer a rentabilidade do setor, reduzindo o risco de revisões negativas de margem no curto prazo. Para investidores, o cenário sustenta uma visão mais construtiva sobre companhias expostas aos segmentos de média e baixa renda.
Banco mantém Tenda como principal escolha no setor
O Safra reiterou sua visão positiva para as ações de construtoras e manteve a Tenda como principal preferência dentro da cobertura, destacando a avaliação considerada atrativa, com múltiplo de 4,5 vezes preço sobre lucro estimado para o fim de 2027.
O banco pondera, contudo, que tensões geopolíticas recentes podem voltar a pressionar custos de materiais nos próximos meses, especialmente em cadeias sensíveis a commodities e logística internacional. Ainda assim, a leitura é de que os orçamentos das empresas já incorporam premissas prudentes de inflação. Os ajustes recentes no programa Minha Casa, Minha Vida, por sua vez, tendem a melhorar a acessibilidade do crédito habitacional e oferecer suporte adicional às vendas do segmento.