O segmento de materiais de construção atravessa um momento de aparente calmaria nas vendas, mas os bastidores revelam um cenário de ajustes operacionais. Os números mais recentes do Termômetro Abramat indicam que a demanda permaneceu estável em abril, ao mesmo tempo em que a cadeia produtiva começa a sentir os reflexos do aumento nos custos de operação.
De acordo com o levantamento, quase metade das empresas consultadas — 45% — classificou o faturamento como positivo no período. Outros 30% avaliaram a performance como regular, enquanto 20% indicaram resultado insatisfatório. O panorama sugere que o ritmo de comercialização segue em patamar semelhante ao dos meses anteriores, sem grandes oscilações.
Capacidade instalada em queda
Apesar da estabilidade comercial, a taxa de ocupação das fábricas registrou retração. O uso da capacidade instalada caiu para 74% em abril, representando uma redução de 3 pontos percentuais em comparação a março e de 1 ponto em relação ao mesmo período do ano passado. Esse recuo sinaliza que as indústrias estão diminuindo o ritmo das linhas de produção como forma de se adaptar ao cenário de encarecimento dos insumos.
No mercado doméstico, a maioria dos fabricantes ainda mantém uma visão otimista, embora tenha crescido o número de empresas que percebem piora nos resultados na comparação mensal. A combinação entre demanda estável e custos em alta coloca o setor em uma posição de vigilância.
Expectativas moderadas para os próximos meses
Para maio, as projeções continuam cautelosas. Do total de empresas ouvidas, 45% esperam desempenho favorável, enquanto metade prevê um cenário sem grandes variações. Esse equilíbrio entre otimismo contido e cautela reflete a incerteza que ainda paira sobre a cadeia produtiva.
Mesmo assim, a disposição para investir permanece forte. Em abril, 65% das companhias declararam intenção de realizar investimentos ao longo dos próximos 12 meses, mantendo o mesmo patamar verificado em março. Esse dado indica que, apesar das dificuldades conjunturais, o setor segue apostando no médio prazo.
Pressão vinda do cenário global
Uma parcela significativa das dificuldades enfrentadas pela indústria tem origem externa. A intensificação das tensões no Oriente Médio elevou consideravelmente os preços de combustíveis e de produtos derivados de petróleo, encarecendo toda a cadeia logística e produtiva do setor de materiais de construção.
Na avaliação de Paulo Engler, presidente executivo da Abramat, os indicadores de abril mostram uma indústria que consegue sustentar suas vendas, mas que já adota medidas para proteger suas margens operacionais. “O encarecimento de combustíveis e derivados do petróleo afeta diretamente a fabricação e explica a diminuição no aproveitamento da capacidade produtiva. Paralelamente, continuamos monitorando o ambiente macroeconômico e seus possíveis efeitos para o segmento”, ressaltou.