A Deere & Company, fabricante dos icônicos tratores verdes e amarelos, projeta 2026 como o fundo do poço do atual ciclo de máquinas agrícolas e aposta em uma recuperação consistente a partir de 2027. O CEO global da companhia, John May, divulgou comunicado afirmando que os indicadores recentes — especialmente a evolução dos estoques de equipamentos usados e o ritmo dos pedidos de novos produtos — sustentam o otimismo para o próximo ano fiscal.
Revisão da previsão de lucro
Acompanhando a divulgação das perspectivas setoriais, a Deere ajustou sua estimativa de lucro líquido para o exercício em curso, fixando a faixa entre US$ 4,75 bilhões e US$ 5 bilhões — acima da projeção anterior, que variava de US$ 4,5 bilhões a US$ 5 bilhões. A revisão para cima, ainda que modesta, reflete a estabilização das condições do setor, com os esforços da empresa de redução voluntária de produção contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda de máquinas.
O que gerou o ciclo de baixa
A pressão sobre as vendas de maquinário agrícola acumulou-se ao longo de vários anos. A combinação de preços relativamente baixos das principais commodities — que reduziram o poder de compra dos produtores rurais — com custos mais altos de fertilizantes e combustíveis comprimiu as margens do setor e adiou decisões de renovação de frota em diversas regiões produtoras globais.
Sinais de recuperação no horizonte
O cenário começa a mudar com a alta recente nos preços do trigo, que atingiu os maiores patamares desde 2024, impulsionada por ondas de calor, secas e pela escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia — que geram incertezas sobre o volume de exportações pelo Mar Negro. Se os preços dos grãos continuarem em trajetória ascendente, os agricultores terão mais fluxo de caixa disponível para modernizar o parque de máquinas.
O setor de fabricantes, no entanto, exibe perspectivas divergentes. A CNH Industrial elevou suas projeções anuais e também aposta na retomada em 2027, citando o envelhecimento da frota como vetor de demanda reprimida. Já a AGCO manteve postura mais cautelosa, reduzindo estimativas diante da pressão contínua de insumos sobre os produtores rurais.