A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) acompanha com preocupação a sinalização de aumento nos custos de insumos por parte de empresas fornecedoras do setor, com reajustes previstos para entrar em vigor a partir de abril. A nova onda de elevação de preços é atribuída aos efeitos das turbulências globais sobre o mercado de petróleo, repetindo movimento semelhante ao observado durante a pandemia de covid-19.
Cimento, argamassa e derivados de petróleo na mira dos reajustes
Há indicativos de reajuste nos preços de cimento, argamassa e outros insumos essenciais para a cadeia construtiva. A situação é agravada pelo aumento do Imposto de Importação sobre a resina de polietileno, PVC e demais derivados, pauta discutida pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX-CAMEX). A medida impacta diretamente o preço de materiais presentes em todas as etapas de uma obra, da fundação à entrega.
PVC responde por até 11% do custo de obras habitacionais
O PVC constitui a base principal das instalações elétricas e hidrossanitárias de qualquer construção, especialmente as tubulações. O peso dessa etapa na composição de custos, com base no CUB, varia de 6% a 9% em habitações de interesse social e de 7% a 11% em construções de alto padrão.
Para a CBIC, o cenário torna ainda mais desafiador o cumprimento da meta do governo federal de entregar 3 milhões de residências pelo programa Minha Casa, Minha Vida até o final do ano.
Obras de saneamento também serão afetadas
A entidade alerta que o impacto negativo se estende fortemente às obras de saneamento básico. O PEAD, um dos derivados da resina, tem ocupado cada vez mais espaço frente às tradicionais tubulações de concreto e ferro fundido. Além de apresentarem desempenho e vida útil comparáveis ou superiores, as tubulações de derivados plásticos são menos custosas e mais seguras para instalação, por conta do menor peso próprio e da maior facilidade de manuseio.
A adoção desses materiais também reduz a quantidade de mão de obra e equipamentos necessários, diminui o volume de escavação e retirada de solo e, consequentemente, causa menor degradação ao meio ambiente.
Monopólio interno e restrições externas agravam o cenário
A CBIC destaca que o efeito negativo é agravado por dois fatores estruturais. A produção interna de resina é monopolizada por uma única empresa, e não há possibilidade de o Brasil encontrar fornecedor externo alternativo, além dos Estados Unidos. Conflitos armados em andamento inviabilizam o comércio com eventuais parceiros da Ásia e do Oriente Médio.
Além disso, o GECEX decidiu pela imposição de sobretaxa sobre produtos americanos e canadenses, restringindo ainda mais as opções de solução para o abastecimento do mercado nacional.
Setor pede medidas de apoio para evitar paralisação de obras
Para a CBIC, a combinação da conjuntura internacional com as limitações do mercado interno exige medidas de apoio ao setor produtivo. A entidade defende ações capazes de minimizar os efeitos das turbulências e evitar uma escalada de preços que possa colocar em risco obras espalhadas por todo o país.