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Selic elevada freia investimentos e preocupa setor da construção civil

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual gerou insatisfação generalizada entre os setores produtivos brasileiros, em especial na indústria da construção civil. Trata-se do primeiro corte em quase dois anos, levando a taxa básica de juros para 14,75% ao ano — patamar que, segundo representantes do setor, continua insustentável para a retomada dos investimentos.

CBIC alerta para adiamento de investimentos produtivos

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) classificou o ajuste como insuficiente. Para a entidade, a Selic permanece em um nível que compromete diretamente a capacidade de investimento das empresas e agrava o endividamento das famílias brasileiras. Além disso, o custo fiscal elevado pressiona o orçamento público e limita a destinação de recursos para políticas habitacionais.

“A manutenção da taxa Selic em níveis restritivos por tempo ainda mais prolongado compromete as atividades produtivas e posterga investimentos, impactando a produção e o maior desenvolvimento do país”, afirmou a entidade em boletim divulgado após a decisão.

Taxa de juros real brasileira é a segunda maior do mundo

A Selic se mantém em dois dígitos desde fevereiro de 2022. Com o patamar atual de 14,75%, a taxa de juros real brasileira ultrapassa os 10%, posicionando o país como detentor da segunda maior taxa real de juros do planeta. Esse cenário desvia recursos do setor produtivo para aplicações no mercado financeiro, ao mesmo tempo em que encarece o crédito e desestimula o consumo das famílias.

CNI considera corte incapaz de reverter prejuízos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se manifestou de forma crítica. Segundo a entidade, a redução de 0,25 ponto percentual “é incapaz de reverter prejuízos à economia”. A CNI destacou que a medida não interrompe a desaceleração da atividade econômica, não destrava investimentos e tampouco alivia o endividamento — todos sintomas de uma política monetária que a entidade classifica como excessivamente restritiva.

Construção civil registra o pior janeiro em nove anos

Os reflexos da Selic elevada já aparecem nos indicadores setoriais. De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, realizada em parceria entre CNI e CBIC, o setor registrou em janeiro de 2026 o pior desempenho para o mês desde 2017. O índice que mede o nível de atividade atingiu 43,1 pontos, sendo que valores abaixo de 50 indicam retração — quanto mais distante dessa marca, maior a intensidade da queda.

O indicador de acesso ao crédito também acende um alerta. No quarto trimestre de 2025, o índice atingiu 39 pontos, permanecendo 11 pontos abaixo da linha divisória de 50, o que evidencia a grave dificuldade enfrentada pelas empresas da construção civil na obtenção de financiamento.

Projeções econômicas sinalizam desaceleração em 2026

A CBIC destaca que, após um crescimento de 2,3% em 2025, as projeções para a economia brasileira em 2026 indicam menor dinamismo. A pesquisa Focus, conduzida semanalmente pelo Banco Central junto a instituições do mercado financeiro, projeta alta de apenas 1,83% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

O setor da construção, que cresceu modestos 0,5% no ano passado, aguarda a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário para recuperar fôlego. Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a queda consistente dos juros será determinante para a retomada.

“Uma redução consistente no custo do crédito pode incentivar novos lançamentos imobiliários, ampliar o acesso à casa própria e impulsionar a cadeia produtiva, contribuindo para a geração de renda e o desenvolvimento do país”, afirmou a economista.

Fonte: Construa Negócios