Os leilões de reserva de capacidade na forma de potência (LRCaps), marcados para os dias 18 e 20 de março, prometem alta competitividade. O certame recebeu a inscrição de 368 projetos, somando uma oferta de 120.386 megawatts (MW). Diante desse volume, a expectativa é de uma queda acentuada nos valores de contratação.
Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel e atual executivo da Neal, projeta que os preços devem ficar entre 30% e 40% abaixo do praticado no leilão de 2021. “A quantidade de oferta é grande, o que deve pressionar o preço para baixo. Seria frustrante contratar pouco volume diante desse cenário”, analisou Santana durante evento da plataforma MegaWhat. O mercado estima que o governo contrate entre 17 gigawatts (GW) e 24 GW.
O impasse das baterias
Apesar do otimismo com os preços, existe uma tensão entre os geradores tradicionais quanto à estratégia do governo. O receio é que o Ministério de Minas e Energia limite a compra atual para reservar mercado para um futuro leilão específico de baterias, tecnologia ainda em fase de testes no sistema nacional.
Marcelo Lopes, diretor da Eneva, critica a possibilidade de reserva de mercado. “O sistema se beneficiará de novas tecnologias, mas elas precisam ser testadas e aprovadas antes de terem volume reservado. Não precisa ser via LRCap, há outras formas de inserção”, argumenta.
Do lado do governo, Christiany Salgado Faria, diretora do MME, defende que os leilões de baterias são uma realidade baseada em estudos de necessidade do sistema. Já Roberto Valer, da Huawei Digital Power Brasil, aposta que o futuro certame para armazenamento deve colocar em disputa pelo menos 2 GW, destacando a rapidez de implementação desses empreendimentos como um diferencial para a segurança energética.