A indústria de materiais de construção apresentou avanço em sua atividade operacional no mês de fevereiro. Dados do Termômetro da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) indicam que a utilização da capacidade instalada alcançou 74%, uma elevação de 4 pontos percentuais em comparação a janeiro.
O levantamento, contudo, foi finalizado antes da recente agudização das tensões geopolíticas. A pesquisa não captou os reflexos do ataque conjunto realizado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado na manhã do último sábado (28). A entidade alerta que esse novo cenário macroeconômico poderá influenciar as expectativas e os custos nas próximas medições.
Expectativas de curto prazo
Apesar do crescimento na capacidade produtiva, a avaliação do mês de fevereiro ainda refletiu cautela. Para 67% dos empresários, o desempenho no mercado interno foi apenas regular, enquanto 29% o classificaram como bom ou muito bom.
O otimismo ganha força nas projeções para março de 2026. O indicador aponta que 62% das companhias esperam um desempenho bom ou muito bom para o mês, contra 33% que preveem resultados regulares e apenas 5% que aguardam números ruins.
Investimentos e Juros
A intenção de investir permanece estável e em patamar elevado na comparação anual. Em fevereiro de 2026, 62% das indústrias afirmaram planejar aportes nos próximos 12 meses, repetindo o índice de janeiro. O dado representa um salto em relação a fevereiro do ano passado, quando a intenção de investimento era de 52%.
Dois vetores sustentam essa confiança moderada: a continuidade de programas habitacionais, como o Reforma Casa Brasil, e a expectativa de cortes na Taxa Selic na próxima reunião do Copom.
Riscos no radar
Entretanto, o horizonte não está livre de nuvens. A Abramat destaca que o conflito no Oriente Médio pode pressionar o câmbio e a inflação, alterando a rota da política monetária. Além disso, o setor monitora as discussões legislativas sobre a redução da jornada de trabalho na construção civil. Embora não afete diretamente as fábricas de materiais, a medida pode impactar a estrutura de custos das construtoras e o ritmo de novos lançamentos.
“Os dados de fevereiro refletem um ambiente de recuperação gradual e expectativas mais positivas para o curto prazo”, avalia Paulo Engler, presidente executivo da Abramat. O dirigente reforça, porém, a necessidade de atenção ao contexto externo e às pautas regulatórias internas que podem redefinir a dinâmica econômica nos próximos meses.