O setor mineral brasileiro intensifica os esforços para enfrentar os impactos das mudanças climáticas sobre suas operações. Com foco na redução de danos em infraestruturas críticas e na proteção de trabalhadores e comunidades, a indústria da mineração traça metas concretas para elevar sua capacidade de adaptação diante de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e inundações.
Perdas econômicas globais alcançaram US$ 368 bilhões em 2024
A urgência da agenda climática para o setor mineral ganha dimensão quando se observam os números. Em 2024, eventos climáticos extremos provocaram perdas econômicas estimadas em US$ 368 bilhões ao redor do mundo. Na mineração, os riscos atingem tanto áreas internas das minas quanto atividades externas, incluindo o transporte de minérios por estradas, ferrovias e portos. Danos em infraestruturas críticas podem resultar em paralisações prolongadas e aumento expressivo dos custos operacionais.
IBRAM publica roteiro de adaptação com metas até 2028
As diretrizes para o setor constam no relatório “A Visão do Setor Mineral sobre a Agenda de Adaptação às Mudanças Climáticas”, publicado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). O documento reconhece que “as mudanças climáticas já impõem riscos significativos à produção, à logística, à segurança das comunidades e trabalhadores, assim como à competitividade das empresas”.
O relatório define metas para fortalecer a capacidade de adaptação das atividades industriais até 2028, estabelecendo um roteiro que abrange desde a avaliação de riscos até a implementação e monitoramento de medidas mitigadoras.
Adaptação climática ganha status de prioridade nas práticas ESG
O IBRAM destaca que a adaptação climática deve deixar de ser tratada como uma ação pontual e passar a integrar permanentemente as práticas de gestão das empresas mineradoras. “A adaptação constitui um eixo essencial da agenda de ESG. Em última análise, sustentabilidade significa resiliência”, assinala o instituto no documento.
No cenário internacional, o Artigo 7 do Acordo de Paris reforça essa perspectiva ao determinar que a adaptação às mudanças climáticas receba a mesma prioridade que a redução de emissões de gases de efeito estufa. O setor mineral utiliza o chamado ciclo de adaptação para avaliar riscos, planejar ações, implementar medidas e monitorar os resultados de forma contínua.
Segurança de barragens e uso racional de água estão entre as prioridades
As iniciativas prioritárias definidas pelo relatório incluem o reforço na segurança de barragens de rejeitos, o uso racional de recursos hídricos e a ampliação da eficiência energética nas operações. Entre as metas estabelecidas, destaca-se a projeção de reduzir em 10% o consumo de água no setor até 2030.
As empresas mineradoras também vêm adotando ferramentas tecnológicas para fortalecer a relação com as comunidades do entorno. O aplicativo PROX, por exemplo, integra populações locais aos sistemas de proteção e defesa civil, reunindo dados sobre riscos geológicos, hidrológicos e de queimadas em uma plataforma acessível.
Relatórios internacionais reforçam transparência sobre riscos climáticos
Além das ações operacionais, o setor mineral brasileiro avança no alinhamento de seus relatórios aos padrões internacionais de divulgação. O IBRAM aponta que mineradoras já adotam o padrão IFRS S2 para reportar riscos físicos e financeiros relacionados ao clima, ampliando a transparência perante investidores e a sociedade.
“Mineradoras alinham seus relatórios aos padrões internacionais para divulgar riscos físicos e financeiros relacionados ao clima para investidores e sociedade”, destaca o relatório do instituto.