Famílias que perderam tudo na tragédia de MG ‘recriam’ casas destruídas pela lama

Pelo acordo feito com o Ministério Público estadual, as empresas responsáveis pela barragem que rompeu em Mariana estão custeando a reconstrução da cidade, e os moradores têm o direito de escolher cada detalhe dos novos lares.

“Dia 5 de novembro de 2015. Foi quando a lama veio e levou tudo. Se eu não corresse e carregasse minha filha, que anda de muleta, tinha ido tudo embora. Mas eu sou feliz que minha filha está comigo hoje me ajudando a escolher o piso. Meu quarto eu quero da mesma cor que era: branco com os detalhes escuros. Vai ter a área do fogão a lenha também. Quando chega muita gente, a gente faz feijoada igual fazia. Unia meus netos e meus filhos. Vai ser uma felicidade muito grande eu ter saído andando e voltar andando para a minha casa”.

Depois de sobreviver à tragédia da Samarco em Mariana, a faxineira Enedina Pereira, de 59 anos, está agora escolhendo os materiais da sua nova casa.

As residências dela e de outras 227 famílias serão reconstruídas em um terreno de 98 hectares, que fica a nove quilômetros da antiga Bento Rodrigues. As famílias estão fazendo encontros periódicos com 21 arquitetos para definir exatamente como serão os novos lares. O trabalho é realizado pela Fundação Renova. A instituição é mantida pela Samarco, a Vale e a BHP, com o objetivo reparar os danos causados aos atingidos.

Do desenho até os materiais, as famílias têm direito a escolher tudo. Elas exigiram a recriação da mesma vizinhança. A dona de casa Luciene Alves não vê a hora de retomar a convivência com os amigos. Ela acredita que isso pode ajudar a filha, de 15 anos, a se recuperar da depressão que sofre desde que Bento Rodrigues foi destruída.

“Nós vamos começar do zero. Só que vai ter a lembrança boa que são os vizinhos que a gente vai ter por perto. Então vai amenizar um pouco. Lá a gente considera todo mundo uma família”, disse a dona de casa.

O novo terreno é bem mais acidentado do que a antiga Bento Rodrigues. Os arquitetos estão adaptando o desejo dos atingidos a esse relevo e aos novos formatos das famílias, como explica a arquiteta da Renova responsável pelo reassentamento, Patrícia Lemos:

“Em alguns casos, aconteceram mudanças no núcleo familiar que fazem com que a casa tenha uma diferença da antiga para a atual. Então, se nós tínhamos um casal de pré-adolescentes 12 anos, gêmeos que dormiam no mesmo quarto, dois anos depois a gente não pode colocá-los no mesmo quarto.

Fonte: Grandes Construções