O cenário para as fabricantes e distribuidoras de insumos da construção civil começa a dar sinais de alívio. Após meses de retração, o segmento registrou um salto de 1,1% no fechamento de agosto, se comparado ao mês imediatamente anterior. Quando o referencial é o mesmo período do ano passado, o salto atinge 3,6%.
Os números integram o recém-divulgado relatório Pulso Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção). O documento aponta que o prejuízo acumulado, que batia a marca de 2,7% negativos no meio do ano, foi atenuado para 1,7%.
Obras estruturais e habitação sustentam a demanda
O principal motor desse princípio de retomada, segundo a entidade, repousa no avanço de projetos de infraestrutura de grande porte espalhados pelo país. A continuidade de programas habitacionais federais também garantiu um piso mínimo de encomendas para as fábricas.
Mauro Franco, que preside a Abramat, avalia que o mercado deve ganhar ainda mais dinamismo com a entrada em cena de novas linhas de financiamento voltadas especificamente para reformas residenciais. Por outro lado, ele pondera que as famílias continuam com o orçamento estrangulado. O custo do crédito, aliado ao endividamento geral da população, segue atuando como um freio invisível, impedindo que o setor cresça a passos mais largos.
Otimismo moderado entre as lideranças
O sentimento de quem está à frente dos negócios, no entanto, vive altos e baixos. Em agosto, a expectativa era de que 85% das empresas tivessem um mês favorável. Na prática, apenas 63% dos gestores consideraram o desempenho de suas vendas como aceitável ou positivo.
Apesar da frustração pontual, o horizonte para as próximas semanas é visto com melhores olhos. Cerca de 43% do empresariado confia que setembro trará resultados mais robustos, enquanto 47% acreditam na manutenção da estabilidade. A minoria pessimista — que prevê um mês no vermelho — encolheu para apenas um a cada dez executivos do segmento.