Apesar das adversidades econômicas, a construção civil desponta como um dos principais motores do mercado de trabalho brasileiro neste ano. Dados recentes mostram que o volume de novas contratações com carteira assinada saltou quase 19% nos três primeiros meses, em comparação ao mesmo período de 2025.
Geração de vagas em alta
Entre janeiro e março, o segmento foi responsável por um em cada cinco postos formais gerados em todo o país. O contingente total de trabalhadores na área ultrapassou a marca de 3 milhões, de acordo com as estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego.
A recuperação foi mais expressiva nas frentes de obras de infraestrutura, que registraram um salto de 42,41% nas contratações. O setor de edificações também contribuiu de forma significativa, com avanço de 23% na abertura de vagas no trimestre. O estado de São Paulo manteve a liderança na criação de postos, seguido por Minas Gerais e Santa Catarina.
Impacto nos salários
Outro indicador positivo foi a valorização da remuneração inicial. Em março, a construção civil assumiu o posto de setor com o maior salário médio de admissão do Brasil, alcançando R$ 2.551,69. O valor ultrapassou até mesmo a média da administração pública, tradicionalmente líder nesse quesito.
Inflação e desafios no horizonte
Apesar do boom de contratações, os empresários enfrentam um cenário de forte pressão nos custos operacionais. No primeiro trimestre, o indicador que mede o preço médio dos materiais atingiu 68,4 pontos, o patamar mais alto desde o segundo trimestre de 2022. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-M) também acelerou, registrando alta de 1,4% em abril.
De acordo com especialistas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a volatilidade internacional, especialmente devido aos conflitos no Oriente Médio, tem impactado diretamente o preço do petróleo e seus derivados, encarecendo tintas, tubos e conexões. O frete logístico também sofreu reajustes, pressionando toda a cadeia de suprimentos.
O custo com mão de obra, por sua vez, acumulou alta de 8,82% em doze meses, superando a inflação oficial do período, que ficou em 4,14%. Para a CBIC, a combinação de juros restritivos e encarecimento de materiais resultou na retração de 5,5% nas vendas do varejo do setor no primeiro bimestre, refletindo principalmente o adiamento de pequenas obras e reformas residenciais.