As exportações do Ceará estão no centro de uma estratégia que combina infraestrutura, tecnologia e agronegócio. A proposta foi apresentada durante o Encontro do Agro Cearense, em Fortaleza, com participação de empresários, lideranças produtivas e representantes do governo estadual.
A Secretaria do Desenvolvimento Econômico defende que novos corredores logísticos podem reduzir custos, atrair investimentos e ampliar a presença de produtos cearenses no exterior.
Data centers podem abrir frete de retorno
Um dos pontos mais incomuns da estratégia envolve os data centers previstos para o estado. A chegada de equipamentos tecnológicos por aeronaves cargueiras internacionais pode criar uma oportunidade de retorno com carga local.
A partir de 2027, a expectativa apresentada é de operação regular de cerca de 15 aviões cargueiros. No caminho de volta, essas aeronaves poderiam transportar frutas, pescados, flores, camarão, itens industriais e produtos de maior valor agregado.
Na prática, o governo quer transformar uma demanda da tecnologia em vantagem logística para o setor produtivo. Se o modelo avançar, as exportações do Ceará podem ganhar velocidade e competitividade em mercados internacionais.
Projetos que sustentam a estratégia
- Transnordestina, para ligar áreas produtoras ao Porto do Pecém.
- Porto Seco, voltado a armazenagem, desembaraço aduaneiro e distribuição.
- Zona de Processamento de Exportação no Complexo do Pecém.
- Ampliação da segurança hídrica para indústria, agricultura e consumo humano.
A ferrovia é considerada peça-chave para encurtar distâncias entre produção e porto. Já o Porto Seco pode aproximar o interior dos serviços logísticos necessários ao comércio exterior.
A ZPE do Pecém segue como instrumento de atração industrial, com incentivos voltados a empresas que produzem para exportar.
Agro e indústria buscam previsibilidade
O Ceará já tem destaque em frutas frescas, como melão, melancia e manga, além de liderança nacional no camarão cultivado. Para esses segmentos, logística eficiente e água disponível são fatores decisivos.
Segundo o secretário Fábio Feijó, a aproximação entre governo e setor produtivo busca criar um ambiente favorável para investimentos, empregos e expansão das cadeias produtivas.
Empresários do agronegócio avaliaram o diálogo como positivo, especialmente pela possibilidade de mapear gargalos e construir soluções conjuntas.
A estratégia coloca o Ceará em uma disputa por investimentos que passa por porto, ferrovia, energia, tecnologia e agroindústria. O desafio será tirar os projetos do planejamento e convertê-los em ganhos concretos para quem produz e exporta.