A indústria de materiais de construção perdeu força em abril, depois de mostrar recuperação no mês anterior. O faturamento do setor recuou 2% na comparação com março, segundo o Índice Abramat, elaborado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção.
Na comparação com abril de 2025, a retração foi mais intensa, de 4,9%. O resultado acendeu um sinal de cautela para fabricantes e fornecedores ligados à cadeia da construção civil, embora a entidade mantenha a expectativa de crescimento para o ano.
Materiais de construção sentem pressão de custos
A Abramat segue projetando alta de 1,9% para a indústria de materiais de construção em 2026. A leitura, porém, é de que os próximos meses exigem atenção maior, diante de um ambiente de custos mais pesados e crédito restrito.
Um dos pontos de pressão vem do cenário internacional. O aumento das tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e afetou despesas importantes para a indústria, especialmente combustíveis, logística e produtos derivados.
O diesel aparece como um componente sensível nessa conta. Como o setor depende de transporte para distribuição de insumos, qualquer alta no combustível tende a reduzir competitividade e encarecer a operação das empresas.
Juros limitam retomada da construção
Além dos custos logísticos, a taxa de juros em patamar elevado continua dificultando uma recuperação mais consistente da construção civil. Crédito mais caro reduz a capacidade de investimento de empresas, consumidores e incorporadoras.
Esse efeito chega à indústria de materiais por diferentes caminhos. Com menos lançamentos, obras adiadas ou ritmo mais lento nos canteiros, a demanda por insumos tende a crescer menos, mesmo em um ano no qual ainda há expectativa de avanço.
A avaliação do setor é que a recuperação não foi interrompida, mas entrou em uma fase de maior moderação. O resultado de março, quando houve alta de 3,1%, não se repetiu em abril, indicando uma trajetória menos linear para os próximos meses.
Projeção positiva depende do segundo semestre
Para que a previsão de crescimento anual se confirme, a indústria precisará de melhora gradual nas encomendas e maior estabilidade nos custos. Empresas do segmento acompanham principalmente crédito imobiliário, obras de infraestrutura, programas habitacionais e confiança dos empresários da construção.
O desempenho dos materiais também funciona como termômetro antecipado do setor. Quando fabricantes vendem menos, a leitura costuma sinalizar cautela na ponta das obras e nos investimentos planejados.
Mesmo assim, a manutenção da projeção positiva mostra que a Abramat ainda vê espaço para recuperação ao longo de 2026. O desafio será sustentar esse crescimento em meio a juros altos, combustível caro e margens mais apertadas.