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Tarifa dos EUA leva máquinas brasileiras a negociar em Washington

A indústria de máquinas brasileiras prepara uma ofensiva nos Estados Unidos para tentar barrar ou reduzir os efeitos da tarifa de 25% anunciada pelo governo americano sobre o setor. A ação será liderada pela Abimaq, entidade que representa fabricantes de máquinas e equipamentos.

A associação pretende participar das consultas abertas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR. O órgão receberá manifestações até 1º de julho e realizará audiência pública em 6 de julho, antes da decisão final prevista para 15 de julho.

Máquinas brasileiras entram em disputa comercial

O argumento da Abimaq é que a sobretaxa não tem justificativa econômica. Segundo a entidade, os Estados Unidos mantêm superávit justamente no comércio de máquinas e equipamentos com o Brasil, vendendo mais ao mercado brasileiro do que comprando dos fabricantes nacionais.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 3,6 bilhões em máquinas e equipamentos para os Estados Unidos e importou aproximadamente US$ 4 bilhões em produtos americanos do mesmo segmento. O saldo foi desfavorável ao Brasil em cerca de US$ 400 milhões.

Para a entidade, máquinas e equipamentos são bens de capital, usados para ampliar produção, e não itens de consumo direto. Por isso, a tarifa poderia encarecer investimentos produtivos e atingir cadeias industriais integradas entre os dois países.

Empresas americanas também podem ser afetadas

Um dos pontos centrais da defesa brasileira será o peso das operações intercompanhia. De acordo com a Abimaq, 82% das exportações brasileiras de máquinas para os Estados Unidos ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico.

Isso significa que subsidiárias instaladas no Brasil abastecem matrizes ou unidades americanas. Uma tarifa elevada, portanto, poderia aumentar custos de companhias dos próprios Estados Unidos e desorganizar cadeias produtivas já estabelecidas.

Entre os principais itens exportados pelo Brasil estão máquinas para construção rodoviária, equipamentos agrícolas, componentes industriais e máquinas para transformação de plásticos.

China pode ganhar espaço

A Abimaq também pretende sustentar que a medida pode favorecer a China, justamente o alvo central de parte da política comercial americana. Hoje, fabricantes chineses enfrentam tarifas próximas de 30% para vender máquinas aos Estados Unidos.

Com uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, a diferença de competitividade entre Brasil e China diminuiria. Na avaliação da entidade, compradores americanos poderiam migrar para fornecedores chineses com grande escala de produção e apoio governamental.

O risco, segundo o setor, é que uma tentativa de proteção acabe redirecionando encomendas para concorrentes asiáticos, em vez de fortalecer a indústria americana.

Exportadores tentam ganhar tempo

Enquanto busca reverter a medida por canais institucionais, a indústria deve acelerar embarques sob as condições atuais, com taxa de 10%. A expectativa é de aumento temporário das exportações antes da possível aplicação da nova alíquota.

Os Estados Unidos seguem como maior destino das máquinas brasileiras, embora sua participação tenha diminuído. A fatia americana, que já representou cerca de 26% das exportações do setor, está próxima de 13%.

Nos últimos 12 meses, as exportações totais de máquinas e equipamentos chegaram a US$ 14,4 bilhões. Parte das perdas foi compensada por mercados como Argentina, que ampliou compras de máquinas brasileiras, e Singapura, que se consolidou como centro de distribuição para equipamentos ligados a petróleo e gás.

Fonte: Construa Negócios