Nos primeiros cinco meses de 2025, o crédito para a construção imobiliária sofreu forte retração, com queda de 62,9% em comparação ao mesmo período de 2024, segundo a Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). O número de imóveis financiados com recursos do SBPE despencou de 65,1 mil para apenas 24,1 mil unidades. Em valores, o montante recuou 54,1%, caindo de R$ 15,5 bilhões para R$ 7,1 bilhões.
A combinação de juros elevados —com a Selic em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas— e a saída de R$ 38,4 bilhões da poupança comprometeu a capacidade dos bancos de financiar obras. O cenário também é agravado pela incerteza sobre os impactos de tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros.
Apesar desse ambiente desafiador, a construção civil segue aquecida em outras frentes. O setor ultrapassou a marca de 3 milhões de empregos formais, nível não visto desde 2014, e registrou abertura de 149,2 mil vagas entre janeiro e maio, quase metade delas ocupadas por jovens de 18 a 29 anos. O salário médio de admissão, de R$ 2.436, é o mais alto entre todos os setores da economia.
Os custos da construção seguem pressionando: desde 2020, aumentaram 54,41%, contra uma inflação acumulada de 37,5% no mesmo período. Mesmo assim, a Cbic mantém previsão de crescimento de 2,3% para o setor em 2025, sustentado por obras em andamento lançadas em anos anteriores.
No entanto, empresários demonstram cautela. O índice de confiança da construção caiu para 47,1 pontos em julho, refletindo preocupações com juros altos, falta de mão de obra qualificada e riscos fiscais. Ainda assim, o setor mantém bom ritmo de atividade, com ocupação média de 67% da capacidade instalada e crescimento de 3,5% nas vendas de cimento.